esta quasitude que me cerca por dentro
este modelo standard de alma que me deram
esta asa quebrada: desejo de fazer versos
a existência toda assim como coceira de frieira
e do meu lado esquerdo: a loucura de olhíssimos azuis
e do meu outro lado esquerdo: o suicídio de lábios sequiosos
e eu criança chorando na cama e aprendendo
o agridoce segredo da dor
e eu adolescente arrepiado com os mistérios de fátima
masturbando as contas do rosário
com olhos fixos na vagina abissal do fim
eu no colo de minha mãe no colo de me pai no
colo do cristo no colo da virgem com os pés
fincados na terra úmida de vermes azuis
incandescentes de neon
e o vão onde eu escondia versos
entre o vão onde eu escondia moças
e o vão onde eu escondia minha mais ingênua covardia
e o vão que em sonhos me desperta
na umidade acolhedora de Eva
é o desvão que voga entre minha ânsia vil e minha vã insônia

6 ociosos:
Du caralhu, nada mais a falar.
Tõ arrepiado até agora, "masturbando as contas do rosário", nos vemos no inferno poeta, nos vemos no inferno.
Orgulho de tê-lo como professor!
Rixoso. Motim de uma revolta sacra!
Muito interessante seu blog. Parabéns!
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