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segunda-feira, 25 de abril de 2011

TODOS CANTAM SUA TERRA




minha cidade não tem beleza nenhuma
nasceu de um espasmo involuntário de progresso
num turbilhão de espermas e concretos

um entulho da ópera é minha cidade
é o sambaqui de Sampa
é um discurso de argumentos falhos

é impossível amá-la de olhos abertos
(mas se fecho os olhos corro risco
de cair em um de seus penhascos)

é como a feia que cura a virgindade dos moços
e não cobra ao menos “obrigado”
minha cidade de olhos sonsos

queria ser o Godzilla para abraçá-la
e reduzi-la com meu raio atômico
estrangulá-la de um amor tão réptil

e distribuirei travesseiros de alfazema
aos que tomam o primeiro trem
sussurrando mantras impossíveis:
Macunaíma Macabéa Mauá

Jorge de Barros

6 ociosos:

Flávio Soares disse...

Excelente texto. Me identifiquei com a última estrofe.

Flávio Soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cláudia disse...

Jorge, que retrato! Parabéns, meu amigo!
bj

Edson Bueno de Camargo disse...

é impossível amá-la de olhos abertos
(mas se fecho os olhos corro risco
de cair em um de seus penhascos)

Nunca ouvi uma definição tão definitiva de nossa cidade.


Todo grande amor tem que ter uma boa colherada de ódio, senão azeda.

depossibilidade disse...

Encontro aqui ecos de certa música do Lenine. Gosto.

Jessica Toni Artti disse...

Muito bem retratado...
Me dá saudade de cada defeito do Grande ABC! E saudade de você também!