Páginas

quarta-feira, 15 de junho de 2011

quase haikais


o concreto fermenta
 lentamente, vagarosamente
o asfalto escorre











pombas tristes
 abdicam do voo
por migalhas












uma moto se cala
 despedaçando-se em êxtase
de desintegração












uma ambulância
 apavora o sono do trânsito
inutilmente












estamos aguardando
 movimentação
do trem à frente












um mendigo
 fita o crepúsculo
como um rochedo












luzes rubras vão
 sem começo ou fim
luzes brancas vêm












em becos úmidos
 dançam luzes de neon
cores proibidas












um grito voa
 entre espigões, vãos
e comerciais












silenciosamente
 o rio podre reflete
uma lua pura




Jorge de Barros